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Segunda-feira, Abril 21, 2008

Nina Rosa
O abandono é uma das maiores dores que se pode sofrer; ele pode provocar seqüelas físicas e emocionais no abandonado, principalmente se for uma criança ou um animal - para quem a explicação racional das possíveis causas do abandono - surte pouco ou nenhum efeito. Um animal, por se manter mental e emocionalmente “infantil” durante toda a sua existência, será eternamente dependente do seu dono. Ele se afeiçoa à pessoa que cuida dele, desenvolve naturalmente forte sentimento de gratidão e passa a lhe dedicar a sua vida; se for abandonado por quem ele ama, poderá desenvolver várias doenças relacionadas à
tristeza, à depressão e à baixa auto-estima, chegando
à auto-mutilação.
Você não abandonaria o seu filho, ou seu animal de estimação. Porém, você pode estar contribuindo indiretamente para o abandono de seres sob sua responsabilidade, sem ter consciência disso,
se você:
tem um animal de estimação mas não lhe dedica atenção, afeto, tempo, amor, ele estará vivendo uma forma de abandono. Assim como a criança, o animal necessita sentir-se acolhido, aceito, amado e precisa que alguém brinque com ele. Se você tem um único animal e ele fica sozinho a maior parte do dia, pense em oferecer-lhe um companheiro para interagir.
Pode ser da mesma ou de outra espécie. Cães e gatos podem conviver em harmonia, quando a adaptação é feita amorosamente pelo humano. É bom lembrar que animais castrados são mais dóceis e adaptáveis. E nesse caso, podem ser da mesma espécie e de sexos diferentes ou não; a escolha é sua.
Animais solitários tendem a desenvolver hábitos destrutivos, auto-destrutivos e depressão. Se tudo que ele tem na vida é você, que só chega em casa à noite, ele praticamente passa a vida a lhe esperar, e demonstra toda sua carência no seu retorno, exigindo muita atenção; se são dois, eles passarão o dia interagindo, ainda demonstrarão toda sua alegria ao revê-lo, porém alegria é diferente de carência, e você terá a consciência mais tranqüila o dia todo.
promover o cruzamento do seu animal, seja ele macho ou fêmea, sem a certeza de ter suficientes donos responsáveis para todos os filhotes que possam nascer, (o que não é tarefa fácil), estará correndo o risco de promover o abandono. Muitas pessoas ainda vêm o animal de estimação como um brinquedo, ou um objeto que pode ser presenteado a alguém ou descartado ao surgir qualquer problema como: mudança de endereço (você mudaria para onde não pudesse levar toda a família?) doença na família, gravidez, o nascimento de um bebê, falta de tempo, de paciência, de dinheiro, de amor.
Um dos “seus” filhotes pode estar indo para alguém que se encanta momentaneamente porque ele é pequenino, ou porque é de raça, ou porque o filho demonstrou interesse... mas que após perceber que um novo membro na família dá trabalho, precisa ser adaptado, cuidado
e amado, quer se desfazer. E o entrega para qualquer um – às vezes a um funcionário que não quer o bicho mas quer agradar o patrão ou a um amigo que deseja ajudar a resolver “o problema” e que talvez não o
queira “mesmo”.
É bem provável que esse seja o início de uma peregrinação de desamor, e que o animal acabe por aí, vagando, procurando melhor destino. E se ele não for esterilizado, imagine então o que será de seus filhos...netos... quantos deles terão a sorte de uma vida digna? E você terá sua parcela de responsabilidade por toda essa tristeza.
presentear um animal a alguém sem prévio acordo com o adulto que será responsável por ele, poderá indiretamente estar provocando o abandono. Ser responsável por um animal de estimação requer cuidados, gastos, espaço, tempo, disponibilidade
interna, requisitos que se a pessoa “presenteada” não dispuser naquele momento, pode acabar “desfazendo-se” daquele animal.
Ainda falta a nós, humanos, a consciência e a convicção de que um animal de estimação é parte da família da mesma forma que a criança e o idoso (sadios ou não) e não há nada que justifique o seu descarte.
Procure dar o exemplo: ser verdadeiramente responsável pelo que você conquistou e passar essa idéia adiante para seus filhos, seus vizinhos, no seu trabalho – para colegas e subordinados-, para as pessoas próximas a você. Assim estará promovendo ações positivas de responsabilidade e de bem-estar entre homens e animais.
“um exemplo vale mais que mil palavras”
O abandono e a morte prematura têm sido o destino de milhares de animais “de estimação” na cidade de São Paulo. Inocentes, vítimas das intempéries `a mercê dos maus tratos de pessoas desequilibradas, vagam pelas ruas em busca de um pouco do muito que têm para trocar: amor, alegria, companheirismo.
O poder público, cumprindo seu papel de controlador das zoonoses, recolhe e/ou recebe diariamente uma quantidade de animais que vão para celas, no CCZ, aguardar sua execução no 3º dia de estada, caso seus donos não compareçam para resgata-los. Apesar de inocentes, são punidos com a morte por não terem alguém que se responsabilize por eles.
Se você pensou num “abrigo” como solução para animais sem dono, esqueça! A maioria dos abrigos são verdadeiros depósitos, superlotados de animais tristes, sem perspectiva de atingir o que mais desejam: ter alguém para se dedicar ; alguém que receba o muito amor que têm para dar, alguém que lhes dê atenção. Como se fossem criminosos, são trancados para sempre em celas. São muitos.
Controle de natalidade
Conscientes disso, ambientalistas do mundo inteiro, apoiados pela orientação da Organização Mundial de Saúde “receitam” o controle da natalidade (através da castração) como única medida eficaz para diminuir o abandono, os maus tratos e a morte prematura e injusta de milhares de animais domésticos com e sem raça definida.
Veterinários de vários países, conscientes do seu importante papel , engajaram-se em campanhas de esterilização/castração a preços reduzidos, contribuindo para a melhor qualidade de vida dos animais de estimação.
Em São Paulo, a Prefeitura firmou convênio com algumas OBEAs - Organizações de Bem-Estar Animal para juntos trabalharem pelo controle
de natalidade. Essas ações são da maior importância para a solução do problema, mas isoladas não são suficientes.
Responsabilidade
É preciso que cada cidadão torne-se consciente da sua responsabilidade individual de fazer esterilizar seu próprio animal (independentemente da raça) e de informar seus parentes e amigos sobre a importância desse ato de amor, de responsabilidade e de respeito à vida digna
com qualidade.
O animal cruza por que tem o instinto da procriação, e só com a ajuda de seres humanos responsáveis pode evitar crias indesejadas.
Saiba das vantagens da castração para o seu animal (seja macho ou fêmea), a partir de que idade ela é indicada e da nova técnica cirúrgica mais rápida e menos invasiva.
“Para cada animal morto nessa cidade, existe uma história de abandono. Você também é responsável”.
FONTE: